
ECOLOGIA COMPORTAMENTAL DE BEIJA-FLORES
Ecologia comportamental de beija-flores polinizadores: uma abordagem funcional em Mata Atlântica (2019 – Atual)
A interação mutualística de polinização é atualmente considerada um dos tópicos centrais em conservação da biodiversidade. A preocupação de cientistas em todo o planeta para com os polinizadores surgiu em resposta às evidências de que os serviços ecossistêmicos prestados por estes animais é indispensável não apenas aos ecossistemas naturais, mas também à produção agrícola mundial. Em ecossistemas tropicais a porcentagem das espécies de plantas nativas que dependem de polinizadores como vetores de pólen ultrapassa 90%, enquanto que, no Brasil, 68% dos cultivos agrícolas depende de polinizadores para produção de alimentos. Estas estimativas revelam a necessidade de se compreender os mecanismos e processos associados às interações mutualísticas de polinização animais-plantas para a manutenção dos ecossistemas brasileiros. Para se compreender as interações mutualísticas é preciso interpretá-las como processos ecossistêmicos. Adicionalmente, é necessário considerar que há duas perspectivas a serem avaliadas por estudos em ecologia da polinização. A primeira é a perspectiva dos animais (zoocêntrica), investigando o efeito das plantas sobre a ecologia comportamental dos polinizadores. A segunda é a perspectiva das plantas (fitocêntrica), que investiga os efeitos dos polinizadores sobre a reprodução da planta. As aves, que são os principais vertebrados polinizadores, desenvolveram diversos mecanismos para reconhecimento e utilização de recursos florais em plantas de ecossistemas tropicais, devido a sua elevada capacidade cognitiva. Embora se conheça que beija-flores utilizam recursos de maneira diferenciada em função da sua disponibilidade, pouco se sabe sobre a relação da composição química do néctar em relação à ecologia comportamental destas aves (perspectiva zoocêntrica). O comportamento de beija-flores polinizadores pode influenciar o sucesso reprodutivo das plantas com as quais interagem. Entretanto, a falta de padronização para avaliação de performance de polinizadores (i.e. importância relativa), que inclui terminologia e métodos, dificulta a identificação de padrões associados. Assim, é fundamental uma avaliação comparativa dos resultados de cada método, de maneira a investigar a possibilidade de comparação entre resultados. Enquanto as variações de performance de beija-flores polinizadores são geralmente atribuídas à compatibilidade morfológica bico-flor ou ao comportamento de forrageamento das espécies, até o presente não detectamos nenhum estudo que considere variações relacionadas a estratégias ecológicas das plantas com as quais interagem. Assim, a presente proposta visa a preencher esta lacuna para avaliar a aplicabilidade do conceito de performance de beija-flores polinizadores comparando diferentes métodos, assim como para considerar a capacidade de alocação de recursos das plantas parceiras, utilizando uma abordagem funcional
Colaboradores: Caio C.C. Missagia(UERJ), Maurício B. Vecchi (UERJ), Bruno Rosado (UERJ), Marcos Buckeridge (USP), Cássio Jones(UERJ), Giovanni Marini(UERJ).
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As fotos de capa destas edições dos periódicos abaixo são de autoria de Caio Missagia, um dos autores dos artigos.


